sábado

Destaque no Blog da Educação da SEE

Prato cheio para uma boa educação

Depois das fórmulas matemáticas, os termos da biologia e as regras gramaticais do português, nada melhor do que forrar o estômago para ganhar ânimo para a segunda parte das aulas. É aí que entra a destreza de Janésia Moreira Pereira. Cantineira da Escola Estadual Soares Ferreira, em Barbacena, Janésia é cozinheira de mão cheia. Ela é responsável pela alimentação dos alunos do turno da noite na escola, que nesse período atende a Educação de Jovens e Adultos. Dedicada, a cantineira faz questão de oferecer um cardápio sempre apetitoso para os estudantes. “O pessoal do EJA sai do trabalho e vai direto para escola, então eles chegam com fome. Por isso eu procuro sempre caprichar”, conta.

Mãe de três filhos e já com um netinho na conta, Janésia procura trazer para a escola o zelo que tem com a comida em casa. Além do tempero apetitoso para os seus quitutes, a cantineira faz questão de ressaltar a importância de tratar bem os alimentos. “Eu prezo sempre pela higiene. Gosto das coisas muito bem lavadas, nunca trabalho sem toca e sem avental. Faço uma comidinha muito gostosa e saudável”, diz.

Janésia capricha na merenda dos estudantes todos os dias. Crédito: arquivo da escola

O cuidado com a refeição passa também pelo relógio. Janésia chega na escola por volta das 16h todos os dias e já começa a preparar a merenda. Em dia de feijoada, um dos pratos favoritos dos estudantes, o trabalho é um pouco mais puxado, mas sempre gratificante. “Assim que eu chego eu coloco o feijão para cozinhar, são oito quilos em dia de feijoada. Vou ajeitando o horário para fazer tudo no tempo certo: picar a carne, fazer o arroz, preparar o tempero. Quando dá oito horas a merenda já está pronta. Comigo aqui a refeição nunca atrasou”, gaba-se Janésia, que serve a merenda sempre às 20h15, pontualmente.

Atenta ao dia-a-dia da escola, Janésia sabe da importância de uma boa refeição no desempenho dos estudantes e se enche de satisfação em saber que contribui. Aliás, a satisfação é maior ainda quando o cardápio faz sucesso. “Minha maior alegria é ver o fundo da panela, ver que eles comeram bem. Eles sempre elogiam a comida, mas o mais importante é que se alimentem bem. Assim eles voltam satisfeitos para a sala e vão aprender melhor”, garante Janésia, que não faz cerimônia ao falar da importância de uma boa refeição

segunda-feira

Caso Bica de Chaleira por Francisco Santana

Todo início de ano letivo, os alunos do Colégio Estadual Professor Soares Ferreira, passavam por um exame médico, para avaliá-los se tinham ou não condições de praticar Educação Física. O dr. Amim era o responsável por ele e o fazia esbanjando bom humor, dava conselhos, caçoava e bronqueava, se necessário fosse. Encontrávamos num consultório improvisado quando ele apareceu gritando: “Nossa Mãe do Céu, que cheiro horroroso de chulé que está saindo dessa sala! A uma distância de cem metros se sente o mau cheiro de vocês! Vamos cuidar, porque tá danado! Oh inhaca sô! Acaso vocês sabem o que provoca o chulé? Ele é motivado pela umidade e pelo calor entre os dedos, propiciando a formação de bactérias e fungos que ficam ali se alimentando das células mortas e se multiplicando. Normalmente ele surge pela falta ou pela má higienização dos pés. Vou lhes dar alguns conselhos: A) Evitem o uso de sapatos apertados. B) Guarde-os depois de retirados dos pés. C) Não usem sapatos sem meias. D) Tirou a meia, põe para lavar. E) Prefiram meias de algodão às de materiais sintéticos que fazem os pés transpirarem. F) Antes de calçarem as meias, verifiquem se os pés estão limpinhos e sequinhos principalmente entre os dedos. G) Para acabar de vez com ele usem pó anti-séptico, creme, spray ou medicamentos. Se nada disso der certo, procurem um dermatologista e se mesmo assim o chulé perdurar, procurem um cirurgião e cortem os pés (risos). Entenderam?”.

Além dos pés ele analisava dentes, olhos, ouvidos, mãos, coluna e manchas no corpo. No decorrer tecia comentários do tipo: “Você tem muitas cáries, procure urgentemente um dentista! Que axila cabeluda! Nossa Senhora, que corpo peludo, está parecendo lobisomem, cruz credo! Apare essa coisa! Corpo cabeludo não é sinal de machismo e sim falta de higiene! Após o banho não se esqueçam de colocar debaixo dos braços, desodorante ou um creme porque o cheiro está bravo! Procure um dermatologista para examinar estas manchas que você tem nas costas! Sua coluna está torta, este problema é postural, você deve estar assistindo televisão deitado! Acertei? Se continuar com esse vício vai ficar todo torto ou andar de quatro (risos). Vocês devem aparar as unhas uma vez por semana. Unhas sujas são portadoras de bactérias!”.

A minha turma estava prestes a passar pelo crivo do dr. Amin, éramos veteranos, malandros e maliciosos. Ficamos nus, lado a lado (é claro!) para um exame mais apurado. Em cada semblante uma preocupação. Nesse dia o dr. Amin estava bravo, nervoso, sabíamos que o aluno que tivesse a sua atenção chamada, ficava marcado e conhecido negativamente em todo o colégio. Evitar o constrangimento era a palavra de ordem e necessária. E as recomendações e críticas continuavam: “Puxem o prepúcio! Nossa, que cheiro desagradável! Quando tomarem banho, lavem bem as partes íntimas!” Diante de cada aluno ele fazia um comentário, feliz era aquele que passava ileso.

Foi nesse tipo de exame que o colega JE foi fragorosamente desmascarado. Lembra disso Goretti? JE tinha a mania de grandeza. JE era exibicionista, tanto que carregava no bolso um objeto roliço só para parecer um superdotado e ser chamado de John Holmes. O exame biométrico descobriu sua farsa, ao ficarmos nus, percebermos que o bilau dele era o menor da turma, tanto que ele ficou conhecido como “Zé Pistolinha”.

Voltamos ao nosso exame. O de outro colega marcou sua vida. Perfilados recebíamos os olhares atentos do dr. Amin que de repente parou diante do Campos e exclamou:

- Que é isso meu Deus! O que vejo? Qual é o seu nome?

- Campos, doutor.

- Minha Nossa Senhora, que bilau mais feio Campos! Será que existe algum bonito (rindo)? O seu é feio demais, é torto que nem bico de chaleira. A gente percebe que você está usando muito a mão esquerda. Dá um tempo e passe a usar a direita para ver se endireita ou conserta essa coisa horrorosa! Se continuar assim vai acabar criando mais um conjunto de rock! Credo! Nunca vi na minha vida profissional um bilau tão feio e ridículo!

Todos riram e o nosso amigo Campos passou a ser conhecido por “bico de chaleira”.

Homenagem 120 Anos - Francisco de Santana

Garbosamente, a Escola Estadual Professor Soares Ferreira se localiza na rua Baronesa Maria Rosa, bairro Boa Morte em Barbacena - MG. Sua Arquitetura se esconde entre palmeiras e ipês de flores amarelas e seu patrimônio são seus alunos, funcionários e ex-alunos espalhados pelo mundo que enobrecem e dignificam seu presente, passado, ensino, reconhecimento e amor. O Colégio Estadual, como é mais conhecido, foi feito de tradições e encantos. Fecho os olhos e me vejo numa sala de aula ouvindo as histórias dos professores Nestor Albino, Hélio Figueiredo, Afrânio Nézio e aprendendo o fuso horário com o Ítalo Sogno e Nely Ferreira. Encanto-me diante da oratória do Fernando Victor, comparo o nosso idioma com o latim, ensinado pelo Padre Armando e José Aristides. Aprender português ficou mais fácil com o Joaquim dos Santos, Lucília Allevato, Pupo Nogueira, Ary Coimbra, Fernando Duque Estrada e até com o professor Enós Faria (com esse nome?). Passei a gostar dos números assistindo as eficiências do Manoel Conegundes, Nilza Gomes, Moacir Rocha, Cesário, João Anastácio, Flávio Andrade, Maria José Gorini e Heloísa Pinto.

Criei asas e não voei, criei músculos e não me deformei, harmonizei corpo e mente com as aulas do Delmo Maria da Silva, unida à filosofia do Roberto Cipriano. As ciências biológicas tiveram excelente receptividade no contato com os professores José Amin Feres, Virgínia Vidal e Atos Boratto. A química foi bem balanceada pelas mãos dos mestres João Carlos Machado e João Batista Filho. O que dizer do idioma francês? Fui bem servido pela Maria José Soares Ferreira, Dona Evangelina e Sebastião Garcia. Já que estamos falando em idiomas, o inglês foi aprimorado pela Maria Aparecida Costa e Hugo Paolucci. O espanhol? Pelo Romano Quintão. Bons tempos em que tínhamos na grade curricular a Educação Moral e Cívica, muito bem ensinada pelos professores Ubirajara Bertoletti, Geraldo Faria e Márcio Solero. Música? Sim! Com o mestre Denílton Varandas. As leis de Newton, Kepler, Nórton, Ohm, Charles e Gay-Lussac nos foram ministradas pelo professor Clodoaldo Mota e as artes pelos mestres Hugo Boratto e pela imortal Dona Totoca. Quanta saudade!

Crescemos ouvindo os Beatles, Rolling Stones e as famosas bandas musicais “Os Intocáveis” do José Luiz, Alceu Barbosa, Francisco e Jorge Victor bem como, “Rolling Five” formada pelos alunos José Luiz, Cesar, Savinho, Huguinho, Zelino e Jaime Caiado. Foi uma febre nos anos 60. Barbacena parava no dia 7 de setembro para ver a nossa banda passar. O que dizer dessa incrível e apaixonante fanfarra? Orgulho-me de ter participado dessa elite musical onde cada membro era um artista que desfilava com amor, garra e determinação. A vaidade imperava positivamente – tarol é superior ao surdo que é superior ao bumbo que é superior às cornetas que eram superiores às escaletas. Essa vaidade nos fazia crescer onde cada um dava o melhor de si, sempre acima do esperado. Éramos inovadores, criativos e lançávamos moda. Nossas roupas chamavam a atenção pelas cores e originalidade. O “passo de ganso” era vibrante, lindo e emocionava. Você se lembra do Horácio Santos? Aquele contorcionista que fazia exibições acrobáticas à frente de nossa fanfarra! Que novidade! Que show ritmado eles nos proporcionava! Grande baliza!

No final da década de 60, passamos por momentos turbulentos com o Brasil sendo dirigido e administrado por militares. Por qualquer motivo, o estudante e o professor, sempre visados, chamados de comunistas ou subversivos, eram trancafiados numa prisão e às vezes, pagavam com a própria vida. O Estadual não foi uma exceção e várias pessoas foram repreendidas. Às vezes só por caminharmos sem lenço e sem documentos. Vivemos a famosa fase da “Revolução das Rosas”. Um movimento social chamou a nossa atenção - Tradição Família e Propriedade – TFP, constituído na sua maioria por nossos companheiros. Quem não se lembra da “União Estudantil de Barbacena”? Do “Grêmio Lítero Recreativo Soares Ferreira”? Das famosas salas 14 e 22? Das ex- rainhas Ângela Armond Couto e Marisa Mendonça? Do time de futsal dos anos 68, 69 e 70 que foi imbatível, uma seleção campeã que conquistou muitos títulos, carinho e o respeito dos alunos? Quem não se lembra dos campeões Zazaga, Santana, Leonardo Barato, Paulinho Furtado, Alcenir, Sergio e Luiz Ângelo Galvão, Sérgio Marques, Jésus e José Celso Malta, Otávio Brasil, Saturnino, Jair Brunelli, Milton Quati, Zeca Bezerra, Faria e Paulo Roberto Cunha?

Muitos namoros se transformaram em casamentos que perduram até hoje. Parabéns aos casais João Roberto Quintão de Souza e Dayse Gonçalves, Alcenir e Deise Navarro, José Otávio e Marisa Quintão, Ângela Armond e Roberto Corrière, Marcelo Valle e Eloah Jay, Vicente de Paula Lima e Déa Dias, David Garizo Becho e Yara, Justino e Heloisa Armond, Newton Cláudio Valle e Nancy Hermont, Édson Paolucci e Marília Buscácio. Que beleza! Até que a morte os separe. Salve os inspetores João Trindade, Plínio, Hélio, Luiz, Jovelino, Nicolau, Moura, Manoel Caldas, Dona Emília, Fernando Esteves, Otacílio, José Honório, Dona Lurdes e Sr. Marcos. Como esquecer a Maria Pereira?

A Rádio Correio da Serra era uma espécie de “porta voz” do Colégio Estadual que tinha no seu quadro 90% de funcionários/alunos. Muitos alunos faziam ou interferiam nas programações musicais. Lembro-me dos comunicadores: Vicente de Paula Lima, Tíndaro e Manoel Caldas, Ricarbeni, Gilberto Reis, Luiz Carlos de Melo, Nílton Cúrcio, Dauri Rocha, Francisco de Santana, Roberto Goretti e Márcio Cury.

Hoje, louvo iniciativas de manutenção da história desse Colégio para torná-lo mais coeso, unido num intercâmbio de cultura e aprendizagem. Destaco os colaboradores Sheila Cobuci Doumith e Paulo Sebastião Ferreira que promovem anualmente encontros dos ex-alunos transformando cada participante num elo de uma corrente de amor indissolúvel e inquebrantável. Foi pensando neles que busquei no Aurélio a definição de família.

“São pessoas aparentadas que vivem, em geral, na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos. Pessoas unidas por laços de parentesco, pelo sangue ou por aliança.

Ascendência, linhagem, estirpe. Grupos de indivíduos que professam o mesmo credo têm os mesmos interesses, a mesma profissão, são do mesmo lugar de origem, etc.

Comunidade constituída por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, e pelos filhos nascidos dessa união. Unidade espiritual constituída pelas gerações descendentes de um mesmo tronco e fundada, pois, na consangüinidade”.

Meus filhos Alexandre Cobucci Santana e Ana Carolina Cobucci Santana estenderam esta definição acrescentando:
“Contudo, por mais que se tente definir em palavras, a família transcende qualquer definição. Isso porque a família está baseada em relações humanas e essas são tão falíveis quanto seus próprios componentes. Portanto, família muitas vezes significa problemas, abandono, omissão, solidão, perda, tristeza, saudade, falhas, divergências e diferenças de valores, ciúmes, inveja, medo e prepotência.

Mas também quer dizer companheirismo, união, força, amor, tolerância, compreensão, perdão, paciência, alegria, ganho, presença e crescimento.

No entanto, palavras são fáceis e o discurso é altivo e eloqüente, enquanto as ações ficam presas, retidas na dureza da rotina, da distância, na frieza do trabalho. Presas até mesmo na vontade ou no pré julgamento de outrem, faltando um ínfimo de movimento para dar-lhes vida. Família é tudo isso, mas creio que família é cultivo. Cultivo de relações, baseadas em sentimentos sinceros e não forçosos ou circunstanciais. Que se afastem os insinceros, mas que se tornem cada vez mais unidos aqueles que carregam consigo o desejo de ser e pertencer a uma família na essência do termo, com seus aspectos negativos e positivos. Assim deve ser uma família, ou pelo menos quase assim”.

Parabéns Escola Estadual Professor Soares Ferreira pelos seus 120 anos de glórias, sempre visando o crescimento interior de seus alunos tornando-os cidadãos honrados, justos e perfeitos. O tempo passou e você continua jovem por possuir a eterna juventude e o poder da transformação. O seu lema continua em nossas memórias, “Perge Juventus” – Avante juventude!

sábado

Concurso de Fotografia: Um olhar sobre minha Escola

 Corredor do Sucesso - 1º Lugar  

 O teu futuro espelha essa grandeza - 2º Lugar

 3º Lugar

Menção Honrosa

sábado

Atrações Comemorativas dos 120 Anos do Gymnásio Mineiro


Corpo de Balé do CEFEC

 
Seresteiros do Amor

Rodrigo Nézio & Duocondé Blues

quinta-feira

Uniforme


Caro Arthur Bernardes de Castro Azeredo Coutinho para você se lembrar um pouco do seu tempo no Colégio Estadual uma foto do uniforme de sua época, apresentado por alunos na V FAC do Estadual em 2010 que homenagearam os 120 Anos do Gymnásio Mineiro.

Depoimento de Arthur Bernardes de Castro Azeredo Coutinho, ex aluno

Cento e vinte anos iluminando, ilustrando, educando! 

            Nesta festividade relembro minha passagem pelo Colégio Estadual. Ali ingressei, em 1955, quando ele funcionava no Solar do Conde de Prados, ao lado do Jardim do Globo.
             O Reitor era o Dr. Antonio Viçoso Soares Ferreira, temido e respeitado, principalmente pelos alunos indisciplinados. Sua voz ecoava pelas salas, a partir da Reitoria, ao repreender determinado aluno
            O uniforme, de brim caqui, tinha estilo militar.
            Havia uma espécie de hierarquia contrapondo veteranos e calouros. Incontáveis cascudos na cabeça e chutes na bunda levei na descida da escadaria para o pátio, na hora do recreio, com a conivência dos inspetores de alunos que, naquela hora, providencialmente, desapareciam do local.
            Os inspetores do meu tempo eram os Srs. Fontana, Odilon, Divino, Lafaiete, Moura (que usava calças ‘boca de sino’ quando elas ainda não estavam em moda). Mais tarde, já no prédio novo, na Rua Baronesa Maria Rosa, viriam o João ‘Medalhão’, o Fernando Esteves, o “Borracha” (zagueiro do Olimpic) e a D. Emília.
            No Colégio Estadual, aprendi lições para toda a vida: História Universal, com o Dr. Fernando Victor. Geografia com o inesquecível Profº José Mendes de Vasconcelos Junior, que tinha um método infalível para nos explicar a dinâmica dos movimentos de rotação, translação e revolução dos corpos celestes de nosso sistema solar. Com D. Rosina Edde aprendi a resolver aqueles incríveis carroções aritméticos, que preenchiam todo o quadro negro. Com Fernando Vieira de Camargo, o “Fessô”, tentei aprender geometria, trigonometria esférica, trigonometria plana, mas nunca consegui (a culpa não foi dele). Essas coisas simplesmente não combinavam comigo. O Profº Clodoaldo Dantas Mota tentava enfiar em minha cabeça equações, logaritmos, número PI, triângulo retângulo (catetos e hipotenusa), quadratriz de Deinostratos, teorema de Pitágoras. A Profª D. Dulce Dutra ensinava francês com a doçura de voz que era sua característica maior. Fui aluno, também de francês, do Profº Garcia, apelidado “n’est pas” pela freqüência com que se utilizava dessa expressão; mais tarde meu colega de pescarias nas barranqueiras do rio Grande. Estudei Português com o professor Noé de Assis Lima, luminar em língua portuguesa, latinista emérito, pianista e poeta. Com a pianista Onidéia Costa Nunes e, mais tarde, com Denílton Varandas conheci a magia da música. O Cônego Faria ensinava Latim (cuja exclusão do currículo escolar configura-se como o maior crime já cometido contra o ensino no Brasil) com tal entusiasmo que nos contagiava: os sete reis latinos e etruscos de Roma (Rômulo, que matou o irmão Remo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio, Tarquínio Superbus), as sete colinas (Aventino, Capitólio, Célio, Esquilino, Palatino, Quirinau, Viminau) de Roma Condita, o rapto das Sabinas, os gansos do Capitólio, Coriolano, Catilina, Julio César e De Bello Gallico. Com Vicente Romano Quintão, poliglota, professor de Português e Latim estudei Literatura, tendo como leitura obrigatória as obras de: Gil Vicente, Madame Stäel, Châteaubriant, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Gregório de Matos Guerra, Luiz Vaz de Camões, Manoel Maria de Barbosa Du Bocage (o professor Romano me brindou com dez em Análise Literária porque percebeu em meu trabalho sobre a “Pavorosa Ilusão da Eternidade”, que eu “também” era fã do poeta Bocage). Fernando Duque Estrada, historiador, professor de português, meu grande incentivador numa época em que eu só pensava em farra. Com o Professor Joaquim Santos Neto (Tiquinca) aprendi as sutilezas do vernáculo, com Hugo Paulucci, aprendi inglês (-Arthur, “go on the black-board”). Delmo Maria da Silva, era o mestre da educação física, líder e entusiasta condutor do Colégio Estadual nas Paradas Cívicas de Sete de Setembro.
            Como não me lembrar também dos ilustres professores João Anastácio, Moacyr Rocha, Cassais (espanhol que adotou Barbacena como sua terra natal), Padre Armando, Ítalo Sogno, Edison Rola, Ethel Mangualde, as irmãs Silva Paes, Benedito Carlos e tantos outros que a memória não guarda mais.
            Em minhas melhores recordações figura também o jornalzinho estudantil “O Trolei”, que tantas polêmicas suscitou, gerando brigas entre alunos e alunas em conseqüência das “fofocas” levantadas pelos “repórteres” e publicadas em seguida.
            Na Secretaria reinava o todo poderoso Sr Yvanée Bayão de Andrade, rigoroso, austero. Mais tarde, assumiu Dona Maria Pereira, de uma bondade sem par, apaziguando alunos brigões, contornando expulsões de salas de aula, sustando o envio de cartas para os pais, aconselhando, conciliando, enfim, um anjo de bondade em meio a um turbilhão de paixões próprias de uma mocidade que mal começava a enfrentar os conflitos da idade.
            Não poderia deixar de registrar que fui aluno da Professora Maria Leite de Castro Coutinho, a mãe Totoca, que não me punia pelas minhas irreverências em sala de aula porque podia fazê-lo de maneira muito mais eficiente em casa e não tenho nenhum trauma por isso.
            Registro meu depoimento em homenagem ao Colégio onde aprendi a ser gente e onde recebi ensinamentos que perduram até hoje.
            Deus abençoe o Colégio Estadual de Barbacena, Deus o ilumine e permita que continue lançando luzes principalmente sobre aqueles que a queiram ver.
            Desejo acima de tudo que sua flâmula continue tremulando altaneira, no mais alto mastro, conclamando a mocidade: “PERGE, JUVENTUS”!

                                   

Banda ROLLING FIVE - 1967

Foto enviado por Geraldo Magela Pereira


No ano de 1967 tivemos a grata surpresa da apresentação da Banda Rolling Five que abrilhantava o colégio Estadual, a banda era formada por CESAR, BOCHECHA, SAVINHO, GUINHO, ZELINO E JAIME CAIADO